segunda-feira, 15 de abril de 2013

Eu ou Ela?

Ela acorda todo dia às 7:20h. A música que a desperta toda manhã fala algo sobre um final feliz, talvez, aquele que ela sempre sonhou. Lava o rosto, escova os dentes e, nunca faz o café. Escolhe vagarosa, delicadamente e sempre atrasada a roupa para o dia. Troca. De novo e de novo. Pronto.
Olha no espelho, retoca a maquiagem, confere o penteado e como se tivesse todo o tempo do mundo abre a porta e seu perfume deixa o rastro por onde passa. Ah sim, é doce. Doce, mas não enjoativo. Doce, de tão irresistível. Doce, especialmente inesquecível, digamos que floral também.
De normal, apenas o mundo passando ao seu redor. Pessoas, carros, bicicletas, pássaros, folhas secas, quem se importa?
Quem não prestasse atenção, poderia facilmente deixar passar despercebido toda a sutil anormalidade que ela carrega. De tão diferente é comum. De tão indiscreto é imperceptível. De tão estranho é encantador.
Seus jeitos, caras, gestos, cada pequeno, insignificante e imprescindível detalhe. Segurando uma caneta, falando ao telefone ou rindo por nada
. Ansiosa e instável. Calma e Nervosa. O tudo e o nada, o cheio e o vazio, jamais pela metade.
Mas, por trás daqueles pequenos e por vezes tristes olhos que refletem o sol e tornam difícil saber quem está brilhando mais, há algo que a incomoda, na verdade não há deixa em paz. Um ponto de interrogação a persegue onde quer que vá, o que quer que faça, com quem quer que esteja, manchando e ofuscando a obra-prima do sorriso que se pinta em sua face quando externa um momento, do mais simples ao mais excitante, de felicidade.
Pontos finais são tristes. Sufocantes, angustiantes. Argumentos sem sentidos podem agredir e muitas vezes entediarem, mas não há nada tão perturbador quanto uma maldita interrogação. (?)
Muitas perguntas, dúvidas, questões. Nenhuma resposta, explicação ou razão. É uma corrida contra si mesma, sem perspectiva de chegada ou sequer expectativa de um primeiro lugar. A atitude, coragem e liberdade entram em meio um turbilhão de interrogativas desgastadas. A alma cansa, o coração reflete.
Eu conheço sua força, sua fraqueza, sua ira, seu amor. E, eu sei, ela será amada.

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