Então vamos viver sem!

No começo parece que a vida vai parar, principalmente porque as horas parecem não colaborar, tudo passa mais devagar e a gente até pensa em maneiras para evitar levantar, como se faltar no trabalho fosse melhorar. 
O peso de recomeçar parece ser insuportável.
A única coisa certa, porém, é que no fim a gente aprende a viver sem, daquele mesmo jeito que a gente vivia antes.
É preciso aceitar que tudo está uma bosta para que tudo volte a ser gostoso de novo.
A gente aprende a viver sem um monte de coisas e pessoas nessa vida, mas a única delas que não podemos viver sem somos nós mesmos. 
A gente não pode esquecer de quem somos, do que gostamos e de onde queremos chegar. 
 Mas, do contrário, a gente pode tranquilamente aprender a viver sem aquele beijo, sem aquele sexo, sem aquela mensagem e sem a companhia daquela mão na nossa.
Por isso, fica bem, tá? Não dê forças para dor. E sabe como você faz isso? Falando menos vezes sobre ela. Quanto mais você fala sobre o que não gosta, mais força isso vai ter dentro de você. É preciso entender que tudo tem uma data de validade, só que às vezes a gente não quer ver, né? Você come comida vencida? Então por que fala de coisas vencidas?
A gente aprende a viver também sem a necessidade de ter.
Quando a hora chega a gente aprende que esse negócio de “um dia a hora chega” é verdade. Quando é dia seguinte a gente aprende que o dia seguinte também chega e faz bem mesmo. Quando uma nova pessoa nos elogia, a gente aprende a deixar pra lá os elogios daquelas velhas pessoas. É mais fácil do que parece ser e do que essas palavras podem explicar.
É só você colocar na cabeça que, um dia ou outro, vai chegar uma hora que a gente aprende a viver sem.

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